
O investimento, por definição, só faz sentido se gerar retorno quer este tenha um carácter social ou financeiro.
Medir o impacto social do investimento é uma tarefa complicada na medida em que por vezes é difícil perceber até que ponto é valorizado pela sociedade. É necessário ouvir as pessoas, perceber as suas necessidades e definir prioridades de investimento. De qualquer forma este investimento não deve deixar de existir independentemente do retorno financeiro resultante.
No campo financeiro o investimento só faz sentido se os cash flows gerados (descontados para o momento presente) durante o período do projecto forem superiores ao montante investido, ou seja, é preciso perceber se um determinado investimento acrescenta, ou não, valor. Esta é a noção de valor actual líquido (val), a qual, por vezes não está presente nos investimentos realizados.
O Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC), da forma como está delineado, dificulta o pensamento do investimento como forma de criação de valor:
1. Actualmente, o valor que é orçamentado para cada entidade pública tem que ser forçosamente gasto no ano a que diz respeito, não existindo uma lógica de continuidade, como nas empresas, onde a poupança transita para o ano seguinte sobre a forma de caixa ou depósitos à ordem.
2. Por outro lado, os orçamentos PIDDAC são construídos com base (i) nos orçamentos históricos para cada entidade e (ii) no valor executado/realizado do orçamento atribuído.
3. Por fim, são considerados como prioritários os investimentos que são comparticipados por fundos comunitários.
Comentários
Relativamente ao ponto 1., é uma situação que faz com que as entidades públicas se sintam pressionadas em investir independentemente da racionalidade do investimento. Essa pressão é explicada pelo facto de (i) o investimento ter um impacto político importante e (ii) a não realização do valor orçamentado poder ser penalizada nos orçamentos atribuídos futuramente.
Resumindo, o investimento realizado não tem que ser uniforme ao longo do tempo devendo variar em função das necessidades. A poupança alcançada poderá ser utilizada em investimentos de maior dimensão e com maior valor acrescentado.
No que diz respeito ao ponto 2., compreende-se a preocupação em perceber se, historicamente, as entidades públicas têm tido capacidade de realizar o orçamento que lhes foi atribuído sob pena de não se realizarem investimentos alternativos. É um argumento válido na medida em que o investimento público tem um efeito imediato no Produto Interno Bruto (PIB).
Contudo, o investimento deve induzir crescimento económico de forma a que o crescimento do PIB seja sustentado e não pontual pelo investimento que foi realizado.
No que toca ao ponto 3., parece fazer sentido investir em projectos que possam usufruir de financiamento comunitário na medida em que é possível realizar investimentos de maior dimensão.
No entanto, o financiamento comunitário não deve ser um factor decisivo na realização ou não de um determinado investimento mas sim o seu retorno potencial até porque estarão sempre envolvidos fundos nacionais (capítulo 50).
