O NOVO AEROPORTO DE LISBOA – PARTE III
Então qual a opção que aqui se defende? É que não basta criticar a OTA, é preciso dizer o que se deve fazer.
Em primeiro lugar manter a Portela, aumentando ao máximo a sua capacidade. Depois procurar alternativas para dois segmentos: Low-cost e longo curso/charters. Dois tipos de voos em que podemos colocá-los mais longe. A questão é aonde?
Essa questão tem de ser respondida maximizando o que já existe e minimizando o custo total da opção, incluindo acessibilidade e sobretudo calculando o custo de oportunidade e o impacto sobre a economia.
Parece-nos evidente que a resposta a esta questão encontra-se na margem Sul, com muito menos densidade que a margem norte do Tejo. Além de que construir um aeroporto na margem Sul permitiria fazer uma 3ª travessia no Tejo, possívelmente Chelas-Barreiro de rodo-ferroviário. Uma espécie de ponte 3 em 1 ( comboios suburbanos, TGV e automóveis). Custo? Mais 50% que uma ponte de um só meio. Porquê? Porque o que custa mais ao fazer uma ponte no Tejo são as fundações e o tabuleiro.
Na margem Sul, mas aonde? Aqui existem 2 hipóteses perfeitamente viáveis, já com algumas infra-estruturas a aproveitar: Rio Frio ou Montijo.
Vantagens do Montijo: Próximidade de Lisboa ( menos impacto negativo na economia), tem a ponte Vasco da Gama, é fácil levar lá o comboio e a zona é plana. Ou seja, é 1) mais perto de Lisboa; 2) As acessibilidades são mais baratas; 3) Ideal para o “low-cost” e o longo curso.
O mesmo se aplica a Rio Frio. Inconvenientes? O impacto ambiental no estuário do Tejo talvez não seja de menosprezar.
Mas sobretudo aproveitar o verdadeiro “cluster” de aeroportos que já existem. Potenciar Beja, que tem uma rota de aproximação de 360º e está classificada pela NASA como pista de aterragem de emergência. Pode servir como retaguarda de Faro (embora o aeroporto de Faro ainda tenha capacidade de expansão) serve o turismo da costa vicentina e o terminal de Sines. E é o ideal para mercadorias, um verdadeiro paraíso para a logística ( Porto de água profundas em Sines, muito espaço e ainda por cima plano, bom tempo, auto-estrada transeuropeia até Espanha e terrenos baratos )
Termino citando um autor recente de um artigo de opinião sobre este tema num jornal:
“A nova refinaria de Sines, o centro de distribuição de produtos brasileiros na
Europa, o desenvolvimento dum ‘cluster’ do mar, a Auto-Europa, o turismo na costa
vicentina, o mercado hortícola em perspectiva, a AVF Lisboa-Madrid, o cluster aeronáutico em formação tornam evidente que qualquer alternativa para um aeroporto de longo curso (que, simultaneamente, satisfaça requisitos da TAP e dos seus aliados estratégicos em termos de hubbing) só pode ser encontrada no triângulo Sines-Setúbal-Madrid.”
2 comentários:
Parece-me obvio que as duas referidas opções a sul do Tejo são ambas inqualificavelmente melhores que a OTA e só foram silenciadas por lobis que pretendem ter o aeroporto a norte de Lisboa. A minha discordância refere-se à necessidade de encerrar a
Portela, de acordo com o que se sabe já hoje em dia a TAP não pode expandir as suas operações por falta de espaço no actual aeroporto, por outro lado a Portela é um dos aeroportos europeus que cobra taxas aeroportuarias mais elevadas ( o que esperemos não venha acontecer no futuro aeroporto para bem do pais e da mobilidade dos seus cidadãos e dos turistas que nos visitam. De resto se queremos dotar Lisboa de competitividade turistica é preferivel ter uma maior capacidade para receber voos Low cost ainda que mais longe do centro da cidade do que estrangular a oferta actual a voos de companhias tradicionais que nos cobram quantias inacreditáveis.
olá eu acho que a OTA é um suicido. Lisboa não pode ter um aeroporto a 40 kms. e logo o TGV vai tirar passageiros e o percurso Lisboa-Porto pode perder-se. Então como é que é preciso um novo aeroporto? O governo deve fazer primeiro o TGV e logo ver os tráfegos de passageiros.
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