quinta-feira, 30 de março de 2006

O NOVO AEROPORTO DE LISBOA – PARTE I


Lisboa debate-se neste momento com uma questão fulcral para o seu desenvolvimento futuro: A necessidade ou não de um novo aeroporto.
Em primeiro lugar, e por forma a que a discussão neste fórum possa seguir uma metodologia, definimos à partida três princípios:

O turismo é para a cidade de Lisboa um sector estratégico e que urge rentabilizá-lo ao máximo.
Lisboa, por muito que o sentimento patriótico nos custe, e apesar de os actuais subscritores do movimento serem “alfacinhas”, não é comparável a Paris ou Londres, pelo que afirmações sobre a localização de Heatrow, Gatewick ou o Charles de Gaulle por comparação com a solução a encontrar são totalmente irrealistas.
Um aeroporto, salvo raras excepções que não nos parece serem a da OTA, não serve um País, mas sim uma cidade/região. Por isso, o novo aeroporto tem de ser pensado numa lógica de Lisboa – Estremadura – Setúbal, e não numa lógica de centralidade face ao país ( se não fazia-se o aeroporto em Coimbra, a meio caminho da A1)

Assim sendo, a primeira questão é se Lisboa necessita ou não de um novo aeroporto? Ou seja, se a capacidade da Portela se esgotará rapidamente ou não? Segundo, se faz sentido fechar por completo a Portela ou optar por uma opção tipo Portela + 1? E por último qual seria a melhor localização no caso de ser necessário avançar para um novo aeroporto?

Os critérios de decisão devem ser, em nossa opinião, seguidos pela seguinte ordem: Financeiro - Económico, Navegabilidade Aérea, Articulação com as restantes redes de transportes ( quer numa óptica funcional, quer numa óptica de rentabilização do investimento e maximização dos recursos) e por último (last, but not the least) a questão ambiental.

Não se coloca aqui a questão da exequabilidade da OTA. É evidente que a OTA é exequível ( assim como os estádios do Euro, a Expo 98, ou no limite as Pirâmides no Egipto). A questão é saber se a OTA é económica e financeiramente viável, se a OTA potência ou prejudica a competitividade da cidade de Lisboa e se é a opção com menores custos de oportunidade?

A primeira questão não é de simples resposta. Precisa Lisboa de um novo aeroporto ou não? Não deixa de ser curioso que durante um evento como o Euro 2004, o aeroporto da Portela funcionou sem qualquer falha ou necessidade de desviar trafego. Isto durante 3 semanas em que o tráfego aéreo foi o mais intenso de sempre, sem que se tenha notado qualquer caos nos nossos céus.
Além disso ninguém dúvida que as perspectivas de crescimento do tráfego aéreo não são propriamente animadoras em virtude da concorrência do TGV nas duas principais rotas a partir de Lisboa (Porto e Madrid) e evidentemente devido aos preços do petróleo.
Mas estará a Portela a ficar saturada? A um máximo de 40 movimentos/hora (entradas e saídas), e assumindo um máximo de 150 passageiros por movimento de entrada, temos um total de passageiros na ordem de 16 milhões de passageiros. Isto sem ampliação de pistas ou para Figo Maduro. Dificilmente nos próximos 20 anos, se excluirmos as “low-cost” da Portela, o número excederá esse valor.
Isto até porque na Portela a capacidade é aproveitada quase ao máximo, em virtude de as condições de tempo serem favoráveis, ao contrário da OTA, que dificilmente terá mais de 60%/70% da sua capacidade aproveitada, em virtude dos fortes ventos e dos bancos de nevoeiro.

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