terça-feira, 27 de dezembro de 2005






O mundo é dos insatisfeitos!Foi por estarmos cercados e insatisfeitos, que tal como D. Henrique nos lançámos ao mar, à aventura, à descoberta de algo melhor, sem ter medo da mudança e acreditando em nós.

Hoje, como no passado, novos desafios se perfilam perante nós!Ou nos ficamos a lamentar e desanimados ou agarramos os desafios.Tal como disse Pessoa...

É A HORA PORTUGAL.

2 comentários:

Anónimo disse...

O que dizia Eça de Queiroz em 1871

O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há principio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente desprezo pelas ideias aumenta a cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima para baixo! Toda a vida espiritual, intelectual, parada. O tédio invadiu todas as almas. A mocidade arrasta-se envelhecida das mesas das secretárias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce. As quebras sucedem-se. O pequeno comércio definha. A indústria enfraquece. A sorte dos operários é lamentável. O salário diminui. A renda também diminui. O estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como inimigo.
Neste salve-se quem puder a burguesia proprietária de casas explora o seu aluguel. A agiotagem explora o juro. A ignorância pesa sobre o povo como uma fatalidade. O número de escolas só por si é dramático. O professor é um empregado de eleições. A população dos campos, vivendo em casebres ignóbeis, sustentando-se de sardinha e de vinho, trabalhando para o imposto por meio de uma agricultura decadente, puxa uma vida miserável, sacudida pela penhora: ignorante, entorpecida de toda a vitalidade humana conserva unicamente um egoísmo feroz e uma devoção automática. No entanto a intriga política alastra-se.
O país vive numa sonolência enfastiada. Apenas a devoção insciente perturba o silêncio da opinião com padre-nossos matinais.

Anónimo disse...

A história repete-se numa sucessão constante de convulsões políticas, sociais e económicas, que entalham em traços profundos a realidade que vivemos e que ao de leve esboçam o que será o futuro.
Perturbante é verificar que após tamanhas transformações, a mentalidade deste povo se mantenha basicamente a mesma, revelando um desenvolvimento cognitivo estagnado, obstinadamente fixo a ideais falhados e de concretização utópica.
Restam os insatisfeitos... aqueles que promovem a tão almejada evolução cívica, base fundamental do desenvolvimento da nação, mas que por ideais discrepantes da larga maioria, se sentem estranhos no próprio país.